Mafra não só disciplinou a construção como exigiu aos construtores equipamentos que acompanhassem aldeamentos, urbanizações e afins. Tenho conhecimento de um caso, que para ser construído uma urbanização os construtores tiveram de dotá-la de uma biblioteca e um jardim de infância, equipamentos que estavam carentes na aldeia. Este tipo de medidas afastam os oportunistas do betão e ao mesmo tempo ajudam a uma política de sustentação como o Lince expôs.
Mafra começou primeiro por reparar, acrescentar e alcatroar as sua rede rodoviária. Depois impôs rígidas normas, que obedeceram a uma estratégia global com aposta no turismo e desporto, no âmbito da construção da habitação (traça dos prédios e moradias), sustentação das existentes e criação de novas dinâmicas. Ao mesmo tempo construiu vários equipamentos desportivos e bibliotecas. Em simultâneo apostou nos parques empresariais, criando condições para a sua génese. Só depois pensou em construir um novo edifico camarário. Ao invés de favorecer associações desportivas, construiu equipamentos, com implementação de modo estratégico que ajudassem a favoreçer várias associações ao mesmo tempo.
Concentrar ao invés de dispersar, fundos, interesses, e pessoas.
Entretanto deu-se um boom de construção que inevitavelmente trouxe muitas familias. Ora muitas familias resultam em pelo menos duas crianças por agregado. Tiveram de construir escolas primárias, obedecendo a desafios futuros. Construiram polos educativos, incluindo piscinas e equipamentos desportivos, ou em certos casos aproximando a localização de ambos.
Penso que seria interessante fazer uma analise de fundo bem cuidada e fundamentada que mostrasse um case study de Mafra para que em Torres Vedras, os políticos possam aprender com as falhas passadas e os sucessos dos outros.
Mafra preocupou-se em implantar no terreno e concentrar meios em zonas definidas de modo a facilitar a população, criando desde cedo uma rede sanitária e rodoviária, o tal ordenamento, que em Torres Vedras chega agora às aldeias.
Existe no entanto uma deficiente rede de apoio social em Mafra, em várias areas, nomeadamente o suporte à vitima. Possuem clinicas e centros de apoio, no entanto precisam de formação dos seus quadros para várias temáticas. Do ponto de vista da saúde possuem algumas lacunas nomeadamente relacionadas com a urgência, que foi culmatada por equipas permanentes nos centros de saúde e nas coletividades designadas por associações de socorros.
Isto demonstra actividade, espírito inovador, coordenação e certamente boas equipas de trabalho. Algo que tenho insistido é na competência no nível medio dos quadros do edil de Torres Vedras, que é também factor de entropia negativa na organização conhecida por Município de Torres Vedras.
Carrisimos a culpa, sejamos justos, não justiceiros, é de todos. Maioritariamente daqueles que já passaram ou tiveram um papel pró-activo na política do nosso concelho. Muitos políticos da nossa praça pactuaram com situações pouco claras, sendo eles da oposição. Não esqueçamos que o silêncio é também uma falta. Verificar um crime e não fazer nada, acaba por ser um crime pior do que aquele que o comete. Existem silêncios que nos roubam, que contribuíram para o estado de coisas que temos hoje. A capacidade mobilizadoura neste casos tem sido deficiente.
Nenhum general por melhor que seja consegue ganhar batalhas, em última instância a guerra, se tiver soldados medíocres, indisciplinados, ou cujas chefias sejam demasiado brandas e pouco lideres. Pior se ao seu redor houver conselheiros mal formados e demasiado pactuantes.
Mais caos se gerará se existirem ordens contraditórias, fruto de pressões externas, os tais compadrios. Certamente e rapidamente neste cenário o moral decresce e a motivação apaga-se. Ser competente nestas circunstâncias, é caso para "se tirar ao chapéu" aqueles que ainda colaboram com o cidadão comum e cumprem a sua missão ao serviço do edil de forma justa e voluntária. Deve ser difícil engolir e ver tanta coisa acontecer debaixo dos seus narizes...
Que 2007 faça refletir neste e outros pontos na minha única esperança política que é o Dr Carlos Miguel! Pena é estar rodeado de tanta entropia...às vezes penso se a oposição não seria melhor aliado do que o partido que ele representa.
Mas deixemo-nos de política e continuemos a tertulia...outra que siga.