Aproveito para relançar a discussão sobre o que deve ser feito para proteger e melhorar o Carnaval e a sua relação com a cidade, os moradores locais, o visitantes e os foliões. Falo da discussão iniciada a mais de 10 anos pelo próprio presidente da CMTVedras: mais cedo ou mais tarde, o Carnaval terá de sofrer alterações, e quanto mais cedo se iniciar essa discussão, melhor!
Há anos que o Carnaval de Torres é sempre a mesma coisa: inauguração do Monumento, umas passagens pela televisão, chegada dos Reis, corso infantil, corsos organizados e corsos trapalhões, mais umas passagens pela televisão, discussão sobre entradas pagas e tolerância à função publica, Enterro do entrudo, e discussão sobre quem paga a limpeza.
Tem que se começar a falar sobre os vários aspectos do Carnaval:
- atração de mais visitantes: como atrair mais visitantes, que tragam mais valias e consumo para a cidade, de modo a desenvolver o tecido comercial?
- alteração de formato dos eventos: deve-se manter o formato igual, numa perspectiva de tradição, ou mudar o formato no sentido da inovação? Quais as vantagens e desvantagens de cada opção? O que tem vindo a mudar desde a fundação do Carnaval, e o que isso trouxe para o Carnaval, para a cidade e para os torreenses?
- mudanças de percurso ou localização: aumentam as queixas de moradores e empresários afectados negativamente pela passagem do Carnaval pelo centro. É inevitável que, mais cedo ou mais tarde, o Carnaval terá que se mudar, todo ou em parte. Quando, para onde e como o fazer? Não se deve esperar que aconteça um azar, como uma vez disse o sr. Presidente, tem que se antecipar o melhor que se pode.
- eventos paralelos: que eventos paralelos a manter ou a acrescentar, na cidade ou fora da cidade? Como aproveitar o Carnaval para atrair mais visitas a Sta Cruz, por exemplo (não querendo deixar de fora outras localidades do concelho), em época baixa?
- historia: para quando a construção do Museu, como forma de valorizar a historia do carnaval, e associar esta à história da Cidade?
- segurança: como melhorar a segurança dos participantes, visitantes, moradores e negócios? Como minimizar os casos crescentes de vandalismo, violencia, e insalubriedade do evento? Falo de danos em portas, fachadas e veiculos, embrieguez publica e agressões, e falta de condições de higiene e civismo de foliões, casos certamente conhecidos por todos
- transportes e estacionamento: como melhorar o problema anual de deslocação de milhares de visitantes? Como lidar com o estacionamento dos milhares de veiculos na cidade, minimizando o transtorno dos moradores e mantendo a facilidade dos visitantes? (já agora, porque que é que a PSP, que não se vê o ano todo, só actua nesta altura do ano?!)
- finalização do evento: de quem é a responsabilidade do encerramento do Carnaval de Torres em cada ano? É partilhado entre CMTVedras, operadores, e confrarias? Falo da limpeza, remoção de marketing, desmantelamento de infrasestruturas (não se deve repetir o ano passado em que um carro ficou semanas parado a ocupar o estacionamento escasso da cidade), e responsabilização por danos e incómodos a quem se viu prejudicado. O Carnaval não pode ser festa para uns e a conta para os outros!