Texto escrito em 17 de Julho de 2012
Meu caro Mere
Admitindo o “incrível”, a sua frase estaria correcta se, em vez de “bicicletas”, tivesse escrito “automóveis”.
Antes de mais, congratulo-me com o espírito de boa vontade, tolerância e optimismo com que encara esta questão e bom seria que tanto bastasse para resolver estes problemas. Não comungo do seu ponto de vista o que não significa que não estejamos do mesmo lado da barricada.
Acabo de dar uma volta pela cidade e estacionei no parque de Santiago, tendo passado pelo CENFIN, Avenida da Várzea, Escolas, Rua Teresa de Jesus Pereira, Tribunal, Rua Batalha Reis, Largo da Graça e Câmara Municipal. Ontem fiz o mesmo percurso. Acredite que não vi qualquer bicicleta nos estacionamentos situados nas imediações daqueles locais. Lembrei-me do quadro do pintor anónimo representando uma corrida de cavalos na qual estes não se viam, porque, dizia o artista, os primeiros já tinham passado e os outros ainda não tinham surgido. Mas isto foi hoje e ontem, porque, já vi uma na Escola de S.Gonçalo, sempre a mesma, quase todos os dias, outra na Escola Madeira Torres e uma, também, à porta da C.M.
Posto isto, que não passa de uma curiosidade, devo dizer-lhe, Mere, que bicicletas é comigo, sou um fã, tenho duas e entendo que têm o mesmo direito que os automóveis de circular nas cidades com a indispensável segurança o que é manifestamente impossível em Torres Vedras, cidade permissiva a todo o tipo de desmandos dos automobilistas, com arruamentos em péssimo estado de conservação, sem marcações, inclusive passadeiras, com dezenas de ruas erradamente sinalizadas porque a C.M. desconhece o significado de sinais, aqui bem acompanhada pela PSP e Escolas de Condução, etc, etc.
Disse aqui, em tempos muito recuados, o Dr. Carlos Miguel, que o principal problema com que autarquia se confrontava era o Trânsito e Estacionamento.
O Sr.Presidente é um homem de luta e de esperança. “Desistir nunca, esperança sempre”, disse-o aqui em 2002, a propósito da ineficácia da PSP em resolver problemas de estacionamento.
Perseverança e combatividade, contudo, não lhe têm bastado para poder oferecer aos seus munícipes, volvidos tantos anos, uma cidade acolhedora e aprazível.
Face a esta insofismável dificuldade, entendeu agora a C.M. que a criação de Ciclovias (por enquanto uma) seria a melhor solução para resolver o problema e aí temos as ditas em regime de coabitação com os “reis e senhores”, como meio de alcançar aquele objectivo, tornando a bicicleta, como afirma, uma alternativa ao automóvel.
“Encostem-se bem aos passeios, circulem neles quando tal vos for indicado e pelo lado correcto, tenham o máximo cuidado com os vizinhos peões, candeeiros de iluminação, mesas, cadeiras e empregados de café e munam-se de corneta para anunciar a aproximação a zonas escolares. Circulem apenas nas zonas marcadas na periferia das rotundas, única maneira de se garantir uma circulação segura por tempo indeterminado (!) face à lei da prioridade. Tenham redobrado cuidado com a saída dos automóveis estacionados à vossa direita e, finalmente, não se esqueçam que se não cumprirem estas normas estão sujeitos a multas!”
Esperar que a “realeza” se auto-apeie e que estas ciclovias (e vindouras) cumpram o seu papel, tornando a circulação mais suave, como diz o Sr. Vereador Carlos Bernardes, é uma perfeita utopia.
Caro Mere
A Ciclovia das Escolas não chega a ser perigosa porque ninguém a utiliza, o que não quer dizer que não possa haver um acidente com a batata quente a sobrar para alguém.
Concluindo:
Torres Vedras não precisa, no imediato, de ciclovias, (creio mesmo que, face à dimensão e características da cidade não sejam uma solução a adoptar), muito menos quando são encaradas como MEIO de resolver problemas que se arrastam há muitos anos.
Arrume-se a casa, ponham-se os móveis nos devidos lugares, incentivem-se os governantes a frequentar cursos de decoração...
Ensinem o pessoal a pescar… (*)
E venham então as Biclas para concorrer com o pneu e o pé, em situação de igualdade.
Um abraço
rivel
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Meu caro Mere
Quanto a bicicletas e a propósito da sua mensagem de hoje, recordo, acima, o que aqui escrevi em 17 de Julho de 2012 e que, em minha opinião, mantém actualidade.
Há, contudo, um ponto que omiti:
A Ciclovia das Escolas foi inaugurada em Setembro de 2011
O programa prevê a execução de mais cinco (Linha da História, Linha Verde, Circular Joaquim Agostinho, Linha da Água e a Linha do Comércio) cujo prazo de execução será no ano de 2015.
Para melhor se perceberem os propósitos dos responsáveis, consulte-se a Revista Municipal Nº05 de nov./dez.2011.
Quanto aos outros pontos da sua mensagem estamos bem sintonizados.
Um abraço
rivel