Autor Tópico: Editorial Badaladas  (Lida 745 vezes)

Offline amarques

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Editorial Badaladas
« em: Junho 29, 2012, 21:20:46 »
Não me contive. Tinha decidido arrumar as botas na minha participação neste forum.
Contei até cem, afiei o lápis da memória e decidi-me pela intervenção.
O Badaladas é um jornal de leitura local e também, digamos, para-local. Designo assim todos os leitores que embora não naturais, estão ligados a esta terra por laços afectivos ou simplesmente porque caíram aqui em razão da simples casuística que, muitas das vezes, orienta e determina o nosso código postal.
Todos, nós todos, esperamos do Badaladas à quinta o que de melhor existe nos jornalistas da terra e do seu critério editorial nem da vírgulas duvidamos. Tem sido assim há honrosas décadas...
É lido por cidadãos de todas as correntes partidárias e religiosas, por independentes e ateus. É bom para o jornal, é bom para os jornalistas e recompensa quem o tira das bancas. Isto, pela seriedade e independência posta na notícia-facto e pela diversidade e qualidade posta na escrita/opinião.
É aqui que bate o ponto. Na ficção tornada descrição da realidade e nas alegorias rapaces que nos tiram o ânimo e a força colectiva de que necessitamos para os sacrifícios e desilusões de vida que nos esperam.
O director do Badaladas refere a "falta de coragem politica para reformar os 308 municípios lusos".  A explicação/causa desta ignomínia é , na iluminura produzida, explicada da seguinte forma e passo a citar" tudo porque a maioria deles pertence nesta conjuntura ao partido que hoje lidera o Governo da nação (não é com maiúsculas?). Espantosa a incoerência discursiva de quem, decerto, esteve ausente do país nos últimos 10 anos.
Estas opiniões valem se e só se, os seus autores forem reconhecidamente coerentes com a história e não revelarem hiatos comprometedores da sua credibilidade. Estamos a falar duma opinião. Nada mais certo. Vale o que vale, como é moda dizer-se. Como, de resto, a minha...
A diferença que nos separa, é de ordem profissional. Eu não dirijo um jornal...nem sou jornalista, apenas estou atento.
A questão,  posta nos termos propostos, fica na singela e juvenil pergunta: então e o anterior governo não reformou porque lhe faltou o quê?
Era um governo corajoso (por oposição a este) e até dava cabo da corrente politica votada e dominante na gestão autárquica do país, não era?
Este calculismo, esta falta de equilíbrio na avaliação duma urgência nacional, a reforma administrativa, não devem servir de lastro às mudanças que são necessárias.
Caro director do Badaladas, o seu sexto parágrafo acerca da troika, é de ir às lágrimas. É aí por si dito"...ocupação estrangeira do país a partir do memorando da chamada "troika""?
Então e a ocupação estrangeira dos mercados especuladores globais, provocada pela salvítica estratégia dos sucessivos e sucedâneos "packs" do anterior governo, que nos cobravam em cada semana que passava mais 15% de juros? que estamos a pagar agora. Este facto não conta? não quer falar disso? não seria conveniente publicar editoriais que pusessem os leitores a pensar em vez de lhes querer dar a pastilhinha e o copo de água?
Apre!!!
Cordialmente,
Amarques
PS. A respeito do reformar por baixo ou por cima, aqui vai um exercício de perspicácia que classifico de básico: façamos de conta que gere um galinheiro e que tem de reduzir custos. Come mais ovos ou mata a galinha e/ou o galo? pense nisso....
« Última modificação: Junho 29, 2012, 23:57:54 por amarques »


Afonso Marques