Já vi um esboço do projecto para o Castelo de que fala o nosso Presidente, Carlos Miguel, e que é da autoria dos Arqtºs Lema Barros e Cristina Castelo Branco.
A Associação para a Defesa e Divulgação do nosso Património analisou-o e emitiu um parecer de 10 páginas, em Outubro de 2004.
No final, e em resumo, concluia que «a proposta de intervenção reflecte inequivocamente uma vontade de valorizar o Castelo de Torres Vedras e o Centro Histórico, alterando uma inércia de anos, numa atitude que tem de merecer o nosso apoio, o nosso entusiasmo, o nosso comprometimento.»
Não deixava de alertar:
«Obviamente que o nosso posicionamento perante intervenções em matéria de sítios históricos e arqueológicos é, por definição, defensivo, opondo-se naturalmente a interpretações mais audazes e vistosas.»
Pena é que estas coisas demorem tanto tempo a avançar, a que não é estranho o facto de haver muito por fazer na área da valorização do património monumental.
Lembro, a título de exemplo: o Castro do Zambujal, a necessitar de tratamento adequado; as Linhas de Torres e os 200 anos da sua construção em 2010; o Chafariz dos Canos, monumento único no país, tão mal tratado e a necessitar de restauro urgente.
E o "Castelo" ?(o que se vê é, de facto, as ruínas do Palácio do Alcaide)
Bom, pelo menos que se mantenha limpo e sejam feitas algumas intervenções no sentido de o tornar mais "legível" por quem o visita - e são muitas pessoas, como se comprova pela estatística que o funcionário que lá está me mostrou.
Há que pôr sinalização e painéis de informação em Português, Francês e Inglês. Hhá que pensar no coberto vegetal, substituindo com cuidado os pinheiros que escondem as ruínas por outras espécies arbustivas que preservem da erosão. E há que, regularmente, criar campos arquelógicos com jovens sob orientação de arqueólogos, para ir estudando o subsolo em toda a zona histórica. Não deveria nunca fazer-se qualquer obra no Centro Histórico sem uma prévia sondagem arqueológica.
A História é a memória de um povo. Sem memória não há identidade com o espaço e o tempo, nem continuidade de gerações.
Mas, se estes argumentos não chegam, então pense-se que a História é um produto que se vende bem. Turismo sem cultura já não existe.