Começando pelo fim, respondo-lhe com as suas próprias palavras:
"Os direitos são atribuídos pela sociedade com base em determinados parâmetros que vão sendo alterados com o tempo e o grau de civilização."
Na minha opinião a frase faz muito mais sentido na outra forma…
Serão ou poderão ser iguais os direitos de diferentes animais como um cão e um lobo ou um réptil ou mesmo um peixe?
Será que um animal domestico tem mais direitos que um selvagem?
Onde começam e acabam os direitos dos animais?
Estou de acordo com o facto de sermos nós, animais humanos, quem - em primeira instância - tem de ter deveres perante os animais não-humanos. E temos mas não os cumprimos. A lei existe e não é aplicada. Enquanto não lhes forem reconhecidos direitos (na qualidade de animais que são e não de pessoas, entenda-se), continuarão a ter a dignidade de um objecto e isso não chega, obviamente.
As pessoas terem deveres para com os animais, a meu ver será por aí, mas se essa lei já existe porque não é aplicada?
Uma pequena correcção se me permite:
Para muitos, (na sociedade presente que interessa) alguns objectos são mais importantes até do que pessoas, para esses a dignidade e o respeito são secundários e desprezíveis…
Quanto à "integração com a região" e às tradições que existiam antigamente, desculpe que lhe diga mas não me importam as tradições que existiam. O que importa é o que ainda existe
Uma coisa está ligada á outra, sem uma não conseguirá compreender a outra.
As tradições alem de outros factores servem para conhecermos o passado e a cultura de um local ou região, para conhecer a mentalidade e costumes...
E a mentalidade e costumes que ainda hoje existem com animais, a nível domestico e não só, não apareceu agora… se é que me compreende…
Enquanto houver um cão preso a um barracão isolado, dia após dia, sem as mínimas condições de dignidade, apenas para que o seu proprietário fique descansado com os ladrões, não estou contente.
Já vi pelo menos um morrer á fome nessas circunstâncias, fiquei com aquela sensação que é uma mistura de pena, impotência e ódio...
Experiencia longa e aterradora.
Falando do que interessa, o presente, eis a resposta que recebi do outro animal:
‘’Tanta coisa para quê? É só um cão e não vale o que come!’’
Enquanto o gado vivo continuar a ser transportado como se fosse baldes de lixo, não estou contente.
Desconcertantes as condições no caso dos bovinos, suínos e aves… até pelo cheiro...
Enquanto os animais continuarem a ser objectos, meros produtos para comercializar, exibir e descartar, não estou contente.
Será a tal mentalidade que ainda (hoje no presente que interessa) existe em muito boa gente que, digamos, é civilizadamente europeia no século XXI...
Enquanto os animais abandonados e errantes forem recolhidos pelas autarquias para serem abatidos, sem que sejam aplicadas (em vez do abate) quaisquer medidas de controlo da população (esterilização), recuperação (tratamento veterinário de animais que estão doentes) e reintegração (campanhas de adopção responsável), não estou contente.
Aqui é mais complicado, o dinheiro não chega para tudo e a autarquia fecha os olhos, até porque a maior parte das pessoas nem se interessa por isso... estamos a falar de cães vadios, alguns perigosos para as pessoas, com direito… a serem mortos.
Como se os cães fossem o problema e não uma consequência …
Finalmente, não me parece que seja com caldo verde e pasteis de feijão que se mudam comportamentos. Nem sequer é só com isso que se obtêm votos.
Talvez não devesse ser assim... mas lá está, em outros sítios não sei, aqui é 100% eficaz...
Se essa ‘’tradição’’ é utilizada com total sucesso para manter ‘‘certos’’ comportamentos, não seria má ideia utilizá-la para mudar outros.
Estou solidário com a vossa nobre causa porque os animais devem ser mais do que apoiados, nesta altura devem ser defendidos.
Perdoe-me a franqueza mas prevejo, com muita pena minha (mais) um ‘’falhanço’’… espero sinceramente estar enganado.
Na actual situação social em que a maioria das pessoas não sabe o que fazer para sobreviver e existindo uma longa tradição não muito ‘’saudável’’ com os animais, como podem sequer pensar nos mesmos…
Não virá o verdadeiro problema entre as pessoas e os animais muito de trás?
De qualquer forma é preciso falar nos animais, bem ou mal, mas falar!
Boa sorte no vosso projecto, vão precisar dela…
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