“É um negócio vantajoso”
Depois de ter sido aprovada por unanimidade, na semana passada, a aquisição do Aparthotel Mar Azul, em Santa Cruz, no valor de 2,2 milhões de euros, a autarquia voltar a discutir o assunto na reunião da Assembleia Municipal (AM), que se realiza hoje, dia 17.
A Câmara precisa da aprovação da AM para avançar com a aquisição do imóvel e com o contrato de exploração com o instituto que gere as pousadas, a Movijovem. O processo carece também do “visto” do Tribunal de Contas.
Em causa está um património constituído por um bloco de 24 apartamentos e mais duas fracções, que estão definidas em projecto como sendo um bar de apoio à piscina, um espaço de discoteca e um squash, cuja construção ainda se encontra em tosco.
Ao Badaladas, o presidente da edilidade explicou que o negócio será feito da seguinte forma: uma parte do valor (1,1 milhões de euros) ficará liquidada pelo pagamento em espécie das compensações devidas à autarquia, nomeadamente pela não cedência de espaços verdes e de espaços de equipamento. A outra metade ficará em crédito da empresa (Beltorres) sobre a autarquia e será liquidada em função das taxas futuras, de multas ou penalizações. “Será um pagamento à la longue e em função daquilo que for a actividade da própria construtora”, explicou Carlos Miguel.
Segundo o edil, “para a Beltorres esta é a resolução de um problema que até hoje não conseguiu resolver. Se a situação em termos económicos não é aliciante, em termos administrativos é seguramente. Existem cerca de 100 apartamentos ao lado do aparthotel que estão vendidos, mas que têm problemas administrativos de formalização de escrituras”.
Na sua opinião, “é um negócio vantajoso para a autarquia e para o património do município”, sustenta.
Paralelamente, Carlos Miguel tem mantido contactos com a Movijovem para que, futuramente, ocupe aquele espaço. “Só avançámos com o negócio tendo em vista um equipamento mais vocacionado para gente mais nova e com menos poder de compra”, explicou.
Inicialmente, conta Carlos Miguel, a Movijovem não se mostrou interessada em alargar a rede de pousadas e considerou pouco vantajosa a localização de Santa Cruz havendo uma pousada na Areia Branca. “Foi preciso alguma pressão para virem cá ver as instalações e o local”, comentou. Depois disso, a administração da Movijovem entusiasmou-se com o aparthotel que tem condições para receber famílias que, ao que parece, são clientes cada vez mais assíduos das pousadas.
Depois do negócio fechado, a Movijovem fará a gestão do aparthotel e a Câmara continuará como parceira.
Segundo o edil, foi feito um estudo económico de ocupação e “prevê-se que nos primeiros três anos, a exploração seja deficitária”. Contudo, ficará estabelecido em contrato que a autarquia se obriga a pagar à Movijovem esse défice de exploração, sendo o valor previsto para o primeiro ano de 55.553 euros, de 31.545 euros para o segundo e 7.556 para o terceiro.
Porém, no final de cada ano, será avaliado o prejuízo efectivo e “se for menor, a verba estipulada será deduzida no valor do ano seguinte”, acrescenta Carlos Miguel.
Também ficará acordado que os lucros desta exploração não revertam de forma directa para os cofres da Movijovem ou da Câmara, mas para um fundo que será utilizado na construção das outras fracções.
O projecto é de discoteca e squash mas deverá ser transformado em auditórios e salas de reuniões. “É uma valência que as pousadas não têm e que a administração vê com muito bons olhos, para poder receber congressos, reuniões de empresas”, clarifica Carlos Miguel.
Desta feita, “é um negócio que tem tudo para dar certo, mas temos todos que nos empenhar”, regista.
“Não se sabe ao certo quanto tempo levarão a ser ultrapassadas as questões administrativas, mas se para o final do ano houver resposta positiva do Tribunal de Contas, a autarquia irá fazer um grande esforço no próximo orçamento para no primeiro semestre de 2012 conseguir equipar e por a funcionar a pousada”, refere ainda o presidente da Câmara.
Fonte: Badaladas online
Aprovado em Assembleia.