Hortas urbanas comunitárias: sentido de comunidade e consciência ecológica cívica.O termo “Ecologia” (do grego oikos – casa) designa, de forma genérica, o estudo das relações entre os seres vivos e o ambiente em que vivem. Num ecossistema urbano os seres vivos são esmagados pela densidade populacional, pelo tráfego intenso, pela ocupação do espaço com novos edifícios e novas vias de transporte, pela poluição do ar e da água causada pelas indústrias poluentes, entre outros. A pressão exercida por estes factores – de origem humana, legitimados por decisões políticas – tem impactos assinaláveis: o impacto directo na saúde e no bem-estar físico e psicológico dos cidadãos; o encarceramento dos espaços verdes em ilhas de vegetação ornamental que não são mais do que reproduções artificiais da natureza; finalmente, a industrialização e a mercantilização da vida animal para consumo humano, desde os animais para entretenimento aos animais para a indústria alimentar.
As hortas urbanas comunitárias podem introduzir no ecossistema da cidade um encadeamento muito positivo de estímulos. São, acima de tudo, espaços de sociabilidade que permitem reforçar a ligação entre as pessoas envolvidas através da partilha de conhecimentos prévios, da passagem de conhecimentos adquiridos, da convivência e da valorização humana. São também uma forma de desenvolver a consciência ecológica cívica através da valorização de espaços com os quais a comunidade local se identifica, bem como através da percepção da necessidade de cuidar, vigiar e proteger um bem comum. As hortas urbanas comunitárias podem funcionar ainda como espaços privilegiados para formação ambiental, ocupação de tempos livres, desenvolvimento de competências organizativas e mesmo emprego social.
Na nossa perspectiva as hortas urbanas comunitárias têm também um papel fundamental na autonomia local e no aumento da resiliência social e económica da região. Entendemos pois que a produção de alimentos pela comunidade, seja por necessidade ou apenas pela vontade de cultivar o próprio alimento de maneira natural, saudável e ecológica, deveria ser um direito de cada cidadão. Em Torres Vedras não seria difícil fazer valer esse direito, dado que há terras não utilizadas e as características climatéricas são propícias. Falta apenas disponibilizar espaços públicos (e privados que não estejam a ser usados) para que os cidadãos se sintam estimulados a adoptar esta forma de produção de bens alimentares e se possam organizar em comunidades agrícolas. Isto poderia trazer benefícios primários, como o acesso a alimentação biológica, a proximidade à terra e a criação de vínculos sociais na comunidade; mas também importantes benefícios secundários, como a redução da dependência do exterior (inclusive estrangeira), a diminuição da necessidade de transporte de alimentos em percursos longos, bem como a redução do lixo que resulta das embalagens da alimentação industrial porque a distribuição passaria a ser imediata e local.
Embora a agricultura de subsistência e de minifúdio esteja a ser recuperada um pouco por todo o país como forma de aliviar os efeitos da crise, entendemos que faz cada vez mais sentido pensar nas hortas urbanas comunitárias como forma de contrariar o individualismo, de reinventar o sentido de comunidade e de desenvolver uma consciência ecológica cívica que desperte em nós a necessidade de proteger um bem comum que é o planeta onde vivemos.
No próximo dia 8 de Janeiro, a partir das 15h, o Bloco de Esquerda de Torres Vedras promove um debate sobre hortas urbanas e o regresso à agricultura como forma de introduzir o tema no debate político local.
(fonte:
http://blocodeesquerdatorresvedras.wordpress.com/)