O dinheiro da paróquia é de todos os contribuintes? Não me parece.
O dinheiro da paróquia deve ser de todos os paroquianos. Digo eu.
Quanto ao resto, as Instituiçoes Privadas de Solidariedade Social prestam um serviço relevante às comunidades mais frágeis e dependentes. Sem dúvida nenhuma.
Devem ser financiadas na justa medida das verificadas necessidades, quer dos utentes quer das populações da sua área de influência. Ponto final.
As autarquias e a Segurança Social são os grandes amparos financeiros das IPSS's, sem dúvida. E fica-lhes bem.
Assim devem continuar de modo a vincarem o esforço de toda a comunidade na manutenção dum serviço social que alijaram, que a ser gratuito ou parcialmente gratuito, deve de contar sempre com o motor do investimento público. E, também, sempre a somar, com todas as dádivas vindas do sector privado.
Já os investimentos decididos por instituições privadas da magnitude duma Igreja Católica, inclusivé as Misericórdias, devem ser calculados de forma a não ter de solicitar verbas provenientes do erário público. Manda a justiça, a equidade e até o seu habitualmente reafirmado protagonismo social(a "vaidade" de bem fazer não é pecado)
Em jeito de reflexão, no entanto, há uma questão que se me escapa sempre que se fala da Igreja como benfeitora social, que é a da sua ligação secular mas muito própria, às fragilidades dos mais pobres e doentes.
A que se deve o facto de esta sempre optar por executar os seus projectos próprios, embora contando sempre com a generosidade pública (Estado) ou privada (actos beneméritos e/ou esmolas), e quase nunca participar/criar projectos conjuntos oriundos de outra qualquer paternidade?
Juntos os esforços iniciais e a sua gestão corrente, as várias instituições poderiam ser mais fortes social e financeiramente.
Diz-se que a união faz a força.
Cordialmente,