O que foi feito no Sizandro representa e põe a nú, sem dúvida, a total ignorância dum sector da Autarquia, sobre o que é conhecido, à décadas, em diversas disciplinas que fundamentam as boas práticas na manutenção da sustentabilidade e da diversidade naturais em ambiente peri-urbano.
O cândido desconhecimento da ecologia e da botânica fluvial e do ecossistema ripário, o confrangedor desconhecimento do ciclo de vida e da hibernação de répteis da classe dos anfíbios e da ordem dos quelónios (rãs, sapos, tritões, salamandras e cágados, respectivamente), para não falar do ignorante desprezo pelas necessidades ambientais da fauna piscícola em recuperação, diz-se.
E como se não bastasse, o total desconhecimento do que é necessário preservar e potenciar para que algumas espécies de aves que têm vindo, discretamente, a repovoar as margens do rio, mais uma vez não sejam expulsas.
Numa autarquia diferente, quem deu o necessário suporte técnico-científico e promoveu, assessorando, esta acção de "limpeza" no Sizandro, seria confrontado com os seus resultados previsíveis. Nesta matéria, caros decisores autárquicos da CMTV, está tudo escrito, não dá para inventar. E até se gasta menos dinheiro.
A bem do rio e dos seres que lá moram.
Cordialmente,