Autor Tópico: Roteiro do Património Degradado (e desaparecido)  (Lida 17784 vezes)

Offline André Martins

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Roteiro do Património Degradado (e desaparecido)
« Responder #15 em: Fevereiro 13, 2009, 04:49:04 »
Boa noite, caro miguel santos. A igreja de santiago não vai ser demolida, felizmente. Essa questão só é levantada porque está em avançado estado de degradação, e não foi incluida como imóvel de interesse público no nosso concelho. Eu infelizmente não conheço a igreja por dentro, porque está sempre fechada... convido-o, em nome de todos os foristas, se tal me for permitido, a descrever aqui neste post quais as caracteristicas mais relevantes da igreja de santiago, para que evitemos o seu esquecimento. e se souber de mais algum património, degradado ou desaparecido, escreva aqui. Juntos podemos fazer-nos ouvir.
André Martins

Torres Vedras é uma terra privilegiada. Pena é os privilégios não serem para todos...

Offline miguel santos

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Roteiro do Património Degradado (e desaparecido)
« Responder #16 em: Fevereiro 13, 2009, 08:11:23 »
Caro André Martins,

Fico muito satisfeito pela notícia da não demolição da Igreja de Santiago.

Quanto à sua relevância (na minha modestíssima óptica de mero curioso), deixo as seguintes notas (de memória):

O templo – fundado em data desconhecida mas certamente na 1.ª dinastia – apresenta-se, exteriormente, como pouco característico. Salientam-se os janelões laterais a acusar a remodelação tardo-quinhentista e, sobretudo, o portal manuelino.

Interiormente, sei que o pavimento se encontra alteado cerca de 50 cm., devido às cheias e infiltrações do rio (sendo que o próprio portal foi elevado no séc. XIX para a sua posição actual). Existem memórias de lápides armoriadas.

Apresenta-se como templo de nave única, de largura apreciável, coberto por uma só abóbada, bastante bem lançada. Possui “capelas” laterais, inseridas em arcos ladeados por pilares quinhentistas. Não se tratam verdadeiramente de meros altares laterais, adossados às paredes, na medida em que estes se inserem no centro dos referidos arcos, os quais transmitem, por sua vez, a impressão de terem sido “escavados” na espessura das paredes exteriores.
Para mim é impossível não pensar no modelo tardo-medieval das igrejas de nave única com capelas inseridas entre os contrafortes, daí que tenha mencionado a originalidade arquitectónica. Não conheço, com efeito, nenhum outro exemplo semelhante.

Possuirá uma pia e escada helicoidal quinhentistas (que nunca vi).

O coro alto (que parece um depósito de lixo) assenta em três arcos com escalonamento, o maior deles abatido. Neste coro existe um cadeiral maneirista que só pude apreciar do chão da nave mas que me parece uma peça excepcional de marcenaria (ostenta a data de 1634). Está muito degradado mas é, porventura, a peça de maior valor artístico da igreja e parece-me urgente valorizá-lo e alertar o proprietário.

Ainda na nave, existem vários altares laterais que apresentam escasso valor e estão repintados. Destaca-se, no entanto, o belíssimo púlpito do séc. XVII em mármores policromos embutidos.

A parede do arco da capela-mor ostenta um enorme fresco, muito degradado, que, em tempos, apresentou elevado efeito cenográfico, com estátuas e balaustrada de dimensões “monumentais”. A sua raridade impunha um restauro, antes que se perca.

A capela-mor apresenta alta abóbada quinhentista de nervuras, pintada com frescos, mármores policromos embutidos e bons silhares de azulejos setecentistas, embora com muitas falhas.

O altar-mor com colunas salomónicas tem bom risco, parece-me do terceiro quartel do séc. XVII.
Um outro pormenor que confere excepcionalidade à igreja é o facto de a talha revestir também a parte superior das paredes da capela-mor. Trata-se da mesma campanha do trabalho do altar-mor a que a douradura de outros tempos devia conferir uma ainda maior uniformidade.

Na sacristia existe um lavabo do séc. XVII também em embutidos de mármore e um grande arcaz do séc. XVIII.

Perdoem-me a extensão da nota, fruto do entusiasmo, e espero que a memória não me tenha atraiçoado e que a descrição seja fiel à realidade.

Quanto ao património em risco recordo, por exemplo, a belíssima quinta do Furadoro, em iminente risco de derrocada, a vilipendiada capela e o recentemente desaparecido convento da quintinha de Santa Margarida, a fonte armoriada de A-da-guerra, injustamente esquecida, ou a dolorosa ruína de Penafirme…

Também gostaria de destacar o esquecimento a que é votada a capela de N.ª Senhora do Ameal, com a sua rara galilé serliana, torre sineira trecentista e portal lateral de belo risco saído directamente da tratadística de Serlio. O interior também é magnífico.
Sabem se se encontra classificada?

Cumprimentos,

Miguel Santos
 

Offline Pedro Oliveira

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Roteiro do Património Degradado (e desaparecido)
« Responder #17 em: Fevereiro 13, 2009, 08:58:11 »
quote:
Mensagem original enviada por mcarmo

forte da forca na encosta por trás da agriloja



Obrigado pela informação. E o forte de olheiros, sabe onde fica? ou é o mesmo?
Pedro Oliveira

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Offline PraiaSC

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Roteiro do Património Degradado (e desaparecido)
« Responder #18 em: Fevereiro 13, 2009, 19:07:04 »
O Forte de Olheiros fica a poente do Forte de São Vicente, ou seja segue na estrada que passa à frente do F.S.Vicente vira na primeira à esquerda (terra batida) segue sempre em frente e junto a uns depósitos de água dos SMAS está o Forte de Olheiros.
39º6'11.73" N - 9º16'14.17" W cordenadas do Google Earth
 

Offline André Martins

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Roteiro do Património Degradado (e desaparecido)
« Responder #19 em: Fevereiro 13, 2009, 20:13:36 »
Perante a descrição do forista Miguel santos, ainda existem dúvidas em relação ao interesse da igreja de Santiago?
André Martins

Torres Vedras é uma terra privilegiada. Pena é os privilégios não serem para todos...

Offline amarques

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Roteiro do Património Degradado (e desaparecido)
« Responder #20 em: Fevereiro 14, 2009, 03:15:37 »
Depois do que foi dito, e a confirmar pelo nosso Pelouro do Património, não me parece que a CMTV tenha estabelecido fundamentadamente as suas prioridades de investimento nesta área.
Vamos esperar pela réplica esclarecedora.
Quanto à não inclusão da Igreja de S. Tiago no tal roteiro, deve-se naturalmente dever a um qualquer lapso, que será rapidamente reparado pelos responsáveis.
Se bem entendi, o roteiro foi estabelecido pelas seguintes instituições: Paróquia, Misericórdia e a Associação de Reformados.
Será que alguma delas tem, para além da boa vontade e generosidade habituais, conhecimentos científicos para se pronunciar sobre a valia do nosso património municipal e o que deve ou não ser visitado?
Com o devido respeito, não creio.
Cordialmente
Afonso Marques

Offline Pedro Oliveira

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Roteiro do Património Degradado (e desaparecido)
« Responder #21 em: Fevereiro 14, 2009, 10:11:27 »
quote:
Mensagem original enviada por PraiaSC

O Forte de Olheiros fica a poente do Forte de São Vicente, ou seja segue na estrada que passa à frente do F.S.Vicente vira na primeira à esquerda (terra batida) segue sempre em frente e junto a uns depósitos de água dos SMAS está o Forte de Olheiros.
39º6'11.73" N - 9º16'14.17" W cordenadas do Google Earth



Muito Obrigado!
Pedro Oliveira

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Offline André Martins

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Roteiro do Património Degradado (e desaparecido)
« Responder #22 em: Fevereiro 24, 2009, 03:59:39 »
Hoje gostaria de deixar uma menção ao Tholos do Barro, monumento neolítico ao qual não se dá grande importância, e já se vai ver porquê. primeiro, uma descrição retirada do site http://arqtvedras.home.sapo.pt

"Tholos do Barro

No Monte da Pena, junto ao lugar do Barro existe um Tholos, descoberto em 1909 pelo padre jesuita Paul Bovier Lapierre.

É constituído por uma câmara circular com 6 m. de diametro revestida internamente por blocos de pedra empilhados formando uma falsa cúpula, e um corredor de acesso de 4 m. de comprimento. Este nucleo é envolvido por um circulo exterior de pedras com 13 m. de diametro. O espaço intermédio era preenchido com pedras miudas, que revestiam a cobertura da câmara e do corredor formando a mamoa.
Pelas pesquisas efectuadas, depreendeu-se que a povoação situar-se-ia no lado Leste.
 
O espólio reduzido parece atribuí-lo a uma fase inicial do periodo calcolitico. Junto foram encontrados dois machados de pedra polida, quatro aneis de bronze, quatro cilindros de calcário branco (dois representando figuras humanas), dentes e ossos de javalis e de outros animais grandes, 25 contas de pedra, uma chapa de xisto com dois buracos, bem como cacos de vasos e cerâmicas da idade do bronze final.

Um ano antes da descoberta do Tholos, tinha já sido encontrado no local uma sepultura com ossadas humanas, aneis de bronze, dois aneis de ouro, um liso e outro em forma de espiral, uma serra e utencilios vários de pedra lascada, bem como uma ponta de lança em bronze.

O espólio encontra-se no Museu de Torres Vedras."


Porque é que não existe uma placa indicativa sequer do local onde está o Tholos do Barro? Aliás, até o Monte da Pena tem sido subaproveitado, dali seria bem feito um miradouro para a cidade... Estando a poucos quilómetros do castro Zambujal, não se podia fazer um roteiro do neolítico no concelho de Torres Vedras, para valorizar estes dois monumentos?
« Última modificação: Fevereiro 24, 2009, 04:00:19 por the eye »
André Martins

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Offline amarques

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Roteiro do Património Degradado (e desaparecido)
« Responder #23 em: Fevereiro 24, 2009, 17:03:30 »
Quanto ao Tholos do Barro e enquanto não houver capacidade e vontade de solicitar o seu estudo e de alocar recursos financeiros para a sua manutenção no futuro, acho adequado não fazer publicidade à sua localização precisa. Já sabemos no que isso dá.
Mais miradouros...Isso é que não me parece mesmo prioritário.
Apesar de ficarem bem na paisagem, a sua utilidade ficou nos anos 60/70 com o crescimento exponencial do negócio das excursões. Hoje, as pessoas procuram elas próprias os seus melhores locais para admirar e registar as suas melhores paisagens. Cá estamos outra vez a esbarrar na questão fulcral da criação de massa crítica e da formação pessoal dos cidadãos como factor determinante no estabelecimento de rumos e decisões tendo em vista o futuro.
E o Presente desloca-se hoje a uma velocidade avassaladora.
Quanto ao assunto que mereceu a criação deste tópico, continuamos sem merecer qualquer atenção ou gentil informação.
Há que ter paciência. Estou certo que o nosso Pelouro do Património terá alguma coisa a dizer-nos para o esclarecimento deste assunto.
Pode ser que a insistência pague...
Cordialmente,


Afonso Marques

Offline André Martins

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Roteiro do Património Degradado (e desaparecido)
« Responder #24 em: Março 03, 2009, 06:08:31 »
Concordo com o Afonso Marques no aspecto apontado, e tão característico dos portugueses: não convém divulgar a localização precisa do Tholos do Barro, pois correria o risco de desaparecer. Infelizmente o nosso povo é assim...

Hoje gostaria apenas de mencionar um edificio de arquitectura civil, localizado á entrada de Torres Vedras, do lado Norte, e que em tempos serviu precisamente de matadouro. Muito se tem falado em coisas para ali instalar, mas o que é certo é que já há cerca de 15 anos que o edificio se encontra vazio e abandonado, com um ar fantasmagórico.

O que se pretende fazer dali? Corre-se o sério risco do edificio degradar-se ainda mais com o  passar do tempo, por isso convém valorizá-lo o mais depressa possível.
« Última modificação: Março 03, 2009, 06:11:14 por the eye »
André Martins

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« Responder #25 em: Março 07, 2009, 18:49:04 »
Caro Miguel: pode então dizer só que tipo de património é? Às vezes será melhor divulgar, para que não se perca o dito património...
André Martins

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Offline Pedro Oliveira

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Roteiro do Património Degradado (e desaparecido)
« Responder #26 em: Março 09, 2009, 06:50:16 »
fui hoje ao forte de olheiros e fiquei espantado com tal edificação e sua conservação. Obrigado aos que me indicaram!

No entanto, tentei ir também ao forte da forca, por trás da agriloja... fui direito a uma estrada paralela a linha do comboio, mas nao dei pelo forte. Alguem me pode dizer melhor como lá chegar?

Obrigado,
Pedro
Pedro Oliveira

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Offline 100margens

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« Responder #27 em: Março 09, 2009, 07:53:36 »
A igreja de santiago não vai ser demolida não senhor, etão á espera que ela caia.
 

Offline PraiaSC

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« Responder #28 em: Março 09, 2009, 20:52:07 »
Para ir ao forte da forca tem que entrar num acesso de terra batida entre as bombas da Galp e a rotunda do Arena, sobe e vai passar por cima das obras do Office Center.
 

Offline Pedro Oliveira

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« Responder #29 em: Março 10, 2009, 01:34:30 »
Muito Obrigado!
Pedro Oliveira

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