Ouvi hoje de manhã num programa de rádio uma iniciativa da estação que eu estava a ouvir (RCP) que dá pelo nome de Roteiro do Património degradado em Portugal. Neste tópico acrescentei o desaparecido, já vamos perceber porquê.
Ao ouvir o Professor catedrático convidado do programa, e a reportagem feita em Aveiro pelo jornalista da estação, fiquei quase revoltado com o que se vai passando neste país, onde o Estado investe (será bom investimento?) milhões de euros a salvar a banca "para não dar má imagem do país", mas deixa cair abaixo monumentos classificados como património nacional, e alguns até como da humanidade, como o Convento de Cristo em Tomar, monumentos esses que são a imagem real do país, que vivendo do turismo mostra a quem nos visita as marcas de um passado glorioso para o nosso pequeno recanto da Europa. E assim também vai desaparecendo a memória colectiva de um povo, que é aquilo que mais contribui para a nossa identidade.
Lembrei-me depois da nossa cidade. Torres Vedras não tem muitos monumentos, e os que tem, enfim, não é bom falar como estão, a começar pelo Chafariz dos Canos, exemplo único no país, e completamente desprezado, desculpem a expressão. Não se vêem turistas a visitar a cidade e que passem pelo Chafariz... Que pena,meus amigos. Depois temos as várias igrejas da cidade, umas mais bem estimadas que outras, mas uma pior que todas, votada a um quase abandono: a igreja de Santiago. Corre o sério risco de um dia desaparecer, dando lugar a algum empreendimento imobiliário. O forte de São Vicente, coitado, lá está, mas só em Torres é que não vejo indicações turisticas para os monumentos das Linhas de.... Torres!!! Nada, zero, e olhem que até na Serra do Socorro já há indicações de um roteiro relacionado com as linhas de Torres. Muita juventude de certeza desconhece a existência desse forte que foi o bastião da resistência às invasões Francesas. Para além disso, ainda temos o forte da Forca... Ou será que não temos? Não é acessivel, nem sequer visivel...
Agora digam-me lá: podemos nós torreenses sorrir para o futuro, quando já quase não temos passado? Lembram-se por acaso do Paço do Patim? Desconheço localidade que ignore tanto as suas raízes históricas como Torres Vedras. Nem uma rua sequer tem o nome ou alguma menção a acontecimentos históricos aqui ocorridos. A Alameda das linhas de Torres é em Lisboa, vejam só...
Creio que vale a pena reflectir um pouco sobre isto. Já vou longo na minha prosa, mas senti necessidade de escrever aqui isto, talvez para despertar a consciência colectiva de todos os Torreenses. Não deixemos desaparecer o nosso património, a nossa memória, a nossa identidade cultural e social.