Bom dia/tarde a todos.
Trabalho em Lisboa e escolhi, ainda assim, vir morar para Torres Vedras. Pertenço a uma, ainda, minoria. E acredito tratar-se de uma minoria com tendência crescente.
Isto fará de mim uma daquelas pessoas que irão fazer de Torres Vedras um dormitório? Nem por isso. Aliás, por mim, até pelo contrário. Só será um dormitório se a cidade de Torres Vedras não for capaz de me (aqui, apresento-me como representativo de toda a população residente em TV e que trabalha fora desta) proporcionar soluções para os tempos em que não estou a trabalhar ou dormir!
E acho que a cidade, embora com potencial para muito mais, tem sabido cativar os seus munícipes com mais do que simplesmente casas para dormirmos.
E é nesse sentido que gostaria de comentar, ou até re-questionar, algumas questões aqui já colocadas.
Vitor107:
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é gritante a ausência de bairros de moradias em Torres Vedras, o que é negativo.
Desculpa, mas não vejo como é que bairros de moradias podem evitar que Torres Vedras se torne num dormitório de Lisboa. Tanto durmo num apartamento como numa moradia.
Sérgio Ribeiro Jacinto perguntou:
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Porque é que a Expotorres não é Expoeste?
Porque o nome Expotorres é mais promocional de Torres Vedras do que Expoeste. E na sociedade consumista e capitalista em que vivemos não devemos descurar até estes pequenos pormenores. No entanto, e entendendo a verdadeira mensagem da sua pergunta, seria sem dúvida interessante ver o tema da Expotorres alargado a todo o concelho de Torres Vedras e arredores começado assim a alargar o seu público alvo para um evento com o nome já consagrado perante o público alvo actual.
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Porque é que a pista de Karting foi para o Bombarral?
Hmm, nem sabia que havia por aqui perto uma pista de Karting...
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Porque é que os parques de diversão aquática foram para Peniche e para a Praia da Consolação?
Espero que não esteja mesmo a fazer essa pergunta. Se calhar achava que a localização ideal seria aqui em Torres, longe da costa. Como é óbvio a localização destas estruturas prende-se com os potenciais clientes, logo, perto das praias.
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Porque é que já não há matadouro em Torres Vedras?
Para além das condições sanitárias associadas a ter um matadouro em Torres Vedras (eu não sei, mas estou a assumir que o matadouro se situava na cidade de TV), qual é o interesse, no sentido de combater o estigma do dormitório, de ter um matadouro à porta de casa?
Sérgio Ribeiro Jacinto referiu ainda na mesma mensagem que fariam falta, por comparação com concelhos vizinhos: pavilhões desportivos municipais, mercado municipal novo e funcional, piscinas municipais e uma biblioteca municipal toda reconstruída e funcional à sua medida.
Reconheço que a mensagem já tem 3 anos e que algumas coisas foram sendo construídas e melhoradas. Mas ainda assim gostaria de deixar a minha opinião: Concordo que existe uma falta de pavilhões desportivos e piscinas municipais (refiro-me não só na cidade como em todo o concelho); Segundo me foi dito, já está a caminho o projecto para a edificação de um novo e melhorado mercado municipal; E a nova biblioteca, é a meu ver, muito boa.
Segundo Carlos Miguel, a comparação de Torres Vedras com os seus vizinhos é redutora:
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Quanto ao que Torres Vedras tem ou não tem em comparação com os concelhos vizinhos, é um tema demasiado redutor e irracional para não chamar outra coisa.
-- Peço desculpa pela agressividade da opinião que se segue -- Redutor é essa sua opinião! Se vivermos neste mundo com duas palas laterais nos nossos olhos não aprendemos a melhorar. Podemos ensinar aos nossos filhos apenas o que é bom, mas isso significará que, pela falta de conhecimento, eles facilmente serão atraídos pelo que é mau.
É necessário conhecer todas as opções para tomarmos a melhor opção. E acredito que surjam vozes queixando-se que Torres Vedras não é uma seguidora, mas sim uma pioneira e que por isso não necessita de imitar os seus vizinhos para evoluir. Mas a verdade é que se não nos actualizarmos, mesmo que seja por imitação, arriscamo-nos a perder o norte e a "evoluirmos" de uma forma desconexa e desligada do mundo real. E não é por imitarmos o que há de bom nos outros lados que não poderemos ser pioneiros noutras áreas.
Como disse esilva:
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Gosto de comparar e ver o que se faz por perto
Mas saliento, é preciso saber ver e imitar apenas o que de bom existe nos outros lados e que nos falta a nós. Em nada Torres Vedras ganha se seguir na integra o exemplo de Mafra e Malveira, arriscando-se seriamente ao conceito de dormitório, como refere O Bom Selvagem:
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[Torres Vedras] precisa de aguentar a pressão urbanística e construir sempre com qualidade, não deixando a cidade descaracterizar-se em urabizações chapa 5, sem condições nenhumas, atrofiando a cidade e desvalorizando os terrenos.
Se não acreditam vão ver cidades como a Malveira ou Mafra, e vejam como foram muito mais expostas a esta predação.
Carlos Miguel diz mais à frente ainda:
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Os equipamentos são importantes, desde que sirvam as pessoas e tenham uma gestão equilibrada e racional.
Não é bom termos equipamentos quando não existem pessoas que justifiquem a sua ocupação.
Não é bom termos equipamentos quando não existe um modelo de gestão racional para os mesmos.
Questiono se a falta de um estádio municipal ou de piscinas municipais e de outras estruturas do género serão falta de pessoas que justifiquem a sua ocupação ou se não existe um modelo de gestão racional. É que duvido seriamente que faltem pessoas em Torres Vedras, cidade, e em Torres Vedras, município, que justifiquem a sua ocupação. Prova disso é que apesar de termos um Cine-Teatro (sub aproveitado na minha opinião) iremos ter no próximo dia 17 de Outubro mais 5 salas de cinema no futuro Arena Shopping.
Avanço ainda que é a minha opinião (sem quaisquer provas ou pesquisas que a sustentem, uma opinião meramente pessoal e superficial) que se essas coisas todas não existem será por falta de interesse económico ou político. Ou ainda por falta de
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um modelo de gestão racional para os mesmos.
Mas aí deixem-me apontar o dedo aos autarcas, não aos seus munícipes.
Queria também subscrever a opinião do joaoPereira quando diz que para ajudar o desenvolvimento de Torres como cidade não-dormitório deverá existir:
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-Apoio à fixação de novas empresas no concelho, de modo a aumentar o investimento e a criar postos de trabalho qualificado. A centralização das grandes empresas na área de Lisboa é uma má política que prejudica a capital (mais transito e fraca qualidade de vida) e o país(cidades dormitório sem postos de trabalho qualificado);
-Apoios ás associações do concelho, de modo a que cresçam e motivem cada vez mais pessoas a participar em todo o tipo de enventos na região, de modo a fortalecer a identidade de Torrienses;
-Promover a instalação em Torres de escolas Profissionais (porque Universidades já o país tem muitas) de áreas que tenham a ver com a região. Até porque temos hoje em dia a noção de que devemos dar mais importância às Escolas Profissionais e que elas são uma mais valia para o país;
acrescentando ainda, referente ao primeiro ponto, que vi em tempos idos (um ano talvez) um cartaz, junto às bombas do Pára-Pára, que fazia referência à criação de um parque industrial aqui em Torres... Só não percebi onde. Devagar, mas estamos a caminhar no bom sentido...
E termino ainda com a referência à agenda cultural. Os meus parabéns à Câmara pela publicação do "Dia a dia" e promoção dos eventos aí publicitados. São poucas as cidades que promovem a sua cultura desta forma.